É preciso querer viver.

O que é coragem?
É a capacidade de ir além dos limites estabelecidos.
É ter ânimo para desbravar novos horizontes, encontrar novas formas de caminhar. É inventar, criar, mudar, adaptar.
O neurobiólogo Dr. Kurt Goldstein disse que coragem é uma resposta afirmativa que damos aos choques que a existência nos dá. É mais ou menos como a mãe que não tem outra alternativa se não ir a luta para criar os filhos depois que o marido morreu. Ou o pai que, desesperado, mergulha nas correntezas de um rio para salvar o filho que lá caiu.

Como chamamos o inverso de coragem?
Covardia. Que na verdade é um desânimo, o qual poderíamos traduzir melhor como pouca vontade de lutar. Um desanimado não deseja encarar desafios, ele simplesmente se submete ao que for mais fácil, ou que esteja à disposição no momento.
Pessoas assim perdem rapidamente o gosto pela vida, visto que esta torna-se enfadonha, afinal, quem não sente o desejo de ir além não sai do lugar que está, e esta existência estática significa morte. (Se até o Universo se move e se expande, como é deprimente a inércia de uma vida!)

Todos os grandes da história da humanidade foram os que transcenderam suas existências, eles não se acomodaram ao lugar comum.
Nenhuma tecnologia avançada existiria se os cientistas não desejassem ir além. Eles tiveram a coragem de viver.
A literatura, a arte, a medicina, nada disso teria evoluído sem a participação de indivíduos corajosos que desejavam ir mais além.

Muito de nossa preguiça de crescer, de enfrentar obstáculos e ir adiante, cabe ao nosso desejo de sermos eternas crianças sob os cuidados de alguém que se responsabilize por nós.
A Palavra de Deus nos diz que devemos ser crianças na ausência malícia. Jesus disse que devemos “receber” o Reino de Deus como criança (Lc 18.17).
O apóstolo Paulo diz “Antes eu pensava como criança, agia como criança. Mas agora que sou homem deixei as coisas de criança" (I Co - 13:11).
Portanto não podemos criar desculpas "espiritualizadas" para a nossa dependência infantilizada. Ou seja, em nossos fracassos não devemos dizer: "Foi a vontade de Deus...", porque muitas vezes dizemos isso para nos isentarmos da culpa de não termos a coragem necessária para lutar.

A falta de coragem pode surgir também do medo de ser diferente, de ser afastado da maioria. Muitas pessoas preferem o conforto de uma vida medíocre igual à de todos do que fazer uma revolução e ir mais adiante.

Jesus invoca a nossa coragem para ser discípulo: "Quem quiser vir após mim deve negar a si mesmo dia a dia, tomar a sua cruz e seguir"(Lc 9.23). Essas palavras mostram a atitude ousada que um discípulo deve tomar, este deve transcender as normas morais estabelecidas : "Se a vossa fé não exceder a dos escribas...".

Também a adulação que recebemos pode nos fazer não ter coragem de enfrentar a vida.
Quem desejará sair do lugar comum se é tão paparicado onde está? Se há amigos que o admiram? Pessoas que o seguem? Indivíduos que reafirmam sua forma de viver?
Por isso Jesus disse "Se alguém vem a mim e não aborrece, a pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo." (Lc 14.26)

A coragem para viver pode ser anulada já a partir de nossa infância, quando nos é limitada a capacidade. Muitos pais dizem até onde os filhos podem chegar  isto pode ser dito no mimo exagerado, ou no menosprezo da capacidade da criança - e estas lógico, acreditam nisso.

A pior derrota que podemos enfrentar na vida é aquela que veio por termos nos recusado a lutar.

Deus pode nos dar a força e a coragem necessária para irmos muito mais além do que pensávamos poder ir. Para tanto é necessário proceder da mesma forma que Jesus ao se deparar com os desafios propostos pela vida, agindo com Amor e Humildade.
Share on Google Plus

Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

1 comentários: